2 de ago. de 2006

Artigo

Há algum tempo, estava na faculdade falando sobre Theodor Adorno e a Indústria Cultural. Surgiu então a questão sobre o sistema de estrelas, que é a maneira que os formadores de opinião criaram para manipular os espectadores, leitores, enfim, os consumidores da informação.

O sistema de estrelas consiste na criação de uma personalidade e na produção de um marketing ao redor dessa pessoa para que através dela, possam ser ditados comportamentos ou pensamentos manipuladores sem que o consumidor perceba.

As revistas de fofoca atualmente mais do que nunca, vem para comprovar e alimentar o sistema de estrelas e a cultura de massa. São justamente esses veículos que, junto com a televisão ditam a moda e os modos da sociedade.

Hoje, em qualquer lugar que você vá, lá está ela, a revista de fofoca, pedindo para ser lida: no cabeleireiro, no dentista e nos lugares mais improváveis também... Ela é a companheira das donas de casa e até nossa, quando estamos dentro da sala de espera do médico naquelas horas infindáveis... Atire a primeira pedra quem nunca sentiu vontade de dar uma olhadinha...

Por que isso acontece afinal? Por que temos a necessidade de saber da vida alheia? É muito mias fácil do que se preocupar com o que acontece no mundo, muito mais agradável do que só ver desgraça e lamentar, envergonhado pela CPI.

Por mais que seja um tipo de informação desnecessária e efêmera, isso traz uma sensação para o leitor de que ele está inserido em um sistema, esse sistema de estrelas, de luxo, glamour, que na verdade ele nunca fará parte.

O crescimento deste tipo de "mídia" se é que podemos chamar assim, se dá por conta do que a indústria cultural nos prega, mais do que isso: esse tipo de veículo é nada mais do que uma ótima ferramenta para os formadores de opinião e por isso ele sobrevive.

É verdade, mesmo que lamentável, que esse tipo de revista cria um cidadão alienado e bitolado em um universo alheio aos acontecimentos de nosso país. Cria um leitor ignorante e manipulável, portador de um "olhar sem corpo". Digo mais: a medida que este segmento ganha espaço no meio impresso, a tendência é que esse leitor passe a ser cada vez mais empírico, que aplique sempre tudo o que lê em sua vida sem se questionar da verdadeira verdade.

As revistas de fofoca ganharam o mercado e com esse crescimento, o compromisso com a verdade e a ética jornalística estão morrendo, assim como o compromisso com a verdade e à informação, que deveria ser o principal objetivo do profissional a serviço da população.

Vamos torcer para que questões como a corrupção, a saúde pública ou a violência não deixem de ser discutidas ou lembradas. E que nós, os brasileiros, tenhamos preocupações muito mais importantes do que a sensualidade da Cleo Pires (nada contra a atriz) ou o próximo capítulo da novela das oito.