Em debate no programa Roda Viva, da TV Cultura, Mino Carta afirmou que o dever do jornalista era com a fidelidade ao real, com o exercício da crítica, a fiscalização do poder e a intenção de iluminar seu leitor, sem subestimá-lo.
Isso nos leva a uma reflexão sobre a imprensa atual e seu compromisso com o leitor, que não está muito claro para a maioria dos jornalistas da atualidade.
Desde o início da profissão, o jornalista tem sido visto como o maior instrumento para seu leitor de contato com a verdade e a informação. Essa imagem de detentor do conhecimento ganhou tanta força, que podemos chamar a imprensa de quarto poder.
Como é sempre exaustivamente discutido, é inevitável comentar a responsabilidade dos nossos jornalistas, profissionais que estão aqui para formar opiniões, além de situar os cidadãos nos acontecimentos do mundo e principalmente educar a população e trazer valores que sejam positivos para o meio social.
Inúmeros articulistas, especialistas e curiosos já se questionaram a respeito desta questão: será que o jornalista consegue cumprir seu papel? Será que existe o compromisso com os quatro deveres que Mino Carta enumerou? Ciro Marcondes Filho havia dito: “o leitor é induzido a ver o mundo não como ele é, mas sim como querem que ele o veja”. Infelizmente essa citação torna-se uma afirmação diante do papel que o profissional das redações exerce hoje. O jornalismo tem sido em grande parte manipulação, indução e falta de ética. Porém, não existem apenas os maus jornalistas. Cabe então que acreditemos nessas poucas pessoas, que ainda podem trazer uma democracia onde se tem a opção da escolha e um conhecimento da verdade. Não é só com erros técnicos que se faz uma reportagem ruim ou manipuladora e sim pela falta de preparo, dedicação e arrogância do profissional, principalmente.
O leitor deve exigir seus direitos como consumidor da informação, reivindicando contra meias verdades, suposições, opiniões ou argumentos sem fundamento.
Não são os cursos como o de Máster em Jornalismo ou os das Universidades que deveriam educar os maus profissionais, são os próprios leitores que devem se impor e tomar a posição de um quinto poder ou até de poder absoluto, unindo-se para direcionar e comandar a sociedade, que é o seu próprio meio de convivência.
São os cidadãos que detém o poder sobre todos os setores da sociedade, pois, sem os fins não fazem sentido os meios (de comunicação neste caso).
Resta então, que a sociedade perceba o poder que tem nas mãos e se colocar na posição de manipuladora e não de manipulada, no papel de responsável pelo que acontece ao seu redor e assumir um compromisso consigo mesma, o de viver num mundo de igualdade e verdade, acima de tudo.