2 de ago. de 2006

Receita

Para superar com classe (é claro que em alguns momentos cometemos gafes, mas não descemos do salto ou no meu caso, da plataforma do coturno) o “emprego non grato”.
Já dizia Tim Maia: "Ora bolas... não me amole com esse papo de emprego... Não ta vendo, não tô nessa... E o que eu quero é: Sossego”.
Trabalhar, quando você não gosta do que faz é sacal e chega a ser como um ritual, daqueles bem dolorosos, com a diferença de que às vezes esse emprego não te agrega nada e essa fase parece que num vai passar nunca.
Os rituais, que costumam ser chamados também de ritos de passagem, realmente duram pouco, mas a semelhança com o “emprego non grato” (EU criei esta expressão e vou patentear) é que alguns rituais levam à vida adulta, assim como o sacrifício de... fazer o que você não gosta.
Poucas pessoas trabalham no que gostam (eu já tive esse gostinho um dia e espero ter de novo). De um modo geral, por mais que a gente se acostume, existem momentos que passamos por PTT (pânico total do trabalho), aquela vontade de correr gritando pela rua, de virar hippie, de montar um negócio próprio e achar que vai ficar rico, de maldizer o presidente...
Passada a crise, a gente precisa arrumar alguma coisa que faça com que trabalhar em um escritório e em uma atividade tediosa, seja pelo menos cômico de vez em quando. Aí (pode reparar), arrumamos alguém do escritório para "odiar". Talvez, se você for um ser muito iluminado, você não "odeie", você apenas implique e isso vale também.
Aquele cara ou aquela menina que te irrita só pelo simples fato de existir. Tudo nele (ou nela) irrita: a blusa que ele veste, o que ele fala, como ele ri... E digamos que isso seja saudável (Dalai Lama que não me ouça, eu juro que eu tento ser mais zen) até certo ponto.
Pelo menos quando a sua auto-estima está baixa, você pode usar o SER odiado para se sentir melhor: "nossa, que pessoa cafona, olha o cabelo de chapinha dela, ainda bem que eu não tenho grana, mas tenho classe" ou ainda: “como ela pode, falar "menas coisas”, eu sou tão privilegiada por conhecer a língua portuguesa!”. Pode ser o contrário também, o sujeito é tão bom que você se irrita e em muitos casos mais ainda: "Onde aquela perua acha que está para ficar se achando, só por ter morado na Inglaterra e por ganhar três vezes mais do que eu... e ela não faz droga nenhuma...”.
Acho que ficar falando por aí esse tipo de coisa ou incentivando é até falta de classe, mas atire a primeira pedra que nunca implicou com um colega de trabalho ou com o chefe !!! É claro que não vamos ficar comentando com o povo da empresa sobre o mau gosto dos colegas, mas pensar e até comentar com a melhor amiga... não faz mal algum.
Além disso, existem outros artifícios para você usar quando pensar que está num lugar que odeia só por que precisa da grana (não se sinta prostituído). Você pode repetir o mantra: “isso vai passar é só uma fase e eu não vou jogar uma bomba aqui” ou procurar outro emprego que é o mais ideal, entre outras opções...
Enquanto isso não acontece, tente focar naquilo que você PRECISA fazer temporariamente para ganhar seu dinheiro e pense que podia ser pior, você poderia estar desempregada e consequentemente sem grana para ir ao cabeleireiro, na Benedito Calixto com as suas amigas ou para gastar nas liquidações de inverno.
Se tranqüilize e corra atrás, pois, antes linda, inteligente e com uma vida social divertida (fora do “emprego non grato”, claro), do que desempregada e deprimida. E o mais importante: não esqueça de continuar procurando algo melhor, afinal não é só de orkut e de falar mal do chefe que a gente vive nessa fase tão conturbada da vida.